Logos de Minas Gerais

boa noite e boa sorte

O epílogo de uma crise

Resumo: Um paralelo entre uma crônica do senhor Antonio Gustavo do Vale sobre a crise no Brasil no primeiro trimestre deste ano e a opinião pública manipulada pela mídia. O texto traz algumas considerações sobre os poucos estragos causados pela crise dos SubPrime em nosso país, levando em consideração o rombo na economia mundial.

 

Há mais ou menos três meses atrás ainda se falava muito sobre a crise dosRevista Veja (Capa 380) SubPrime, essa mesma que vocês estão pensando, a tal crise americana que abalou o mundo. Recordo-me bem da opinião construída por mim na época, bem similar à que os doutores da economia construíram: a crise passaria muito de raspão na economia brasileira e esta reagiria, para a surpresa de muitos, de maneira muito diferente da que os outros países mais atolados na lambança americana, nós sairíamos quase incólumes dela.

No dia 05 de Maio deste ano o povo de minha cidade recebeu a ilustre presença do senhor Antonio Gustavo Matos do Vale. Para quem não sabe esse senhor é o Diretor do Banco Central do Brasil e membro do Comitê de Política Monetária (COPOM), que estipula a taxa referencial de juros, a SELIC. Eu tive e oportunidade de ouvi-lo discorrer sobre a situação do país na época. As palavras ditas por ele só vieram para confirmar minhas expectativas otimistas sobre o assunto mais uma vez. Na mesma época tive acesso a um jornaleco religioso, que pertence Igreja Católica, chamado Folha da Boa Nova e uma sessão do jornal tratava da situação econômica do país no primeiro trimestre do ano de 2009. Para falar a verdade o jornaleco era dessa época. Nessa seção do jornal chamada Política e Economia o senhor Antonio Gustavo esclarecia a todos as dúvidas mais comuns sobre a natureza das crises e escreveu uma crônica sobre o assunto, a qual foi dada o nome de “A crise”. Achei muito oportuno transcrever essa crônica nesses momentos em que o pior da crise econômica neste país já passou.

O texto foi realmente interessante, ao menos o suficiente para eu guardá-lo por mais ou menos seis meses (e que ainda guardarei)!  Admito, tem que ser realmente bom para me fazer guardar um jornaleco religioso, jornaleco esse que eu não esperava reservar um espaço para um assunto tão importante como tal. Uma página inteira de uma reportagem de qualidade! Não é lá um Estado de Minas, um O Globo ou uma Folha de São Paulo, mas conseguiu o meu respeito.

Segue a crônica do senhor Antonio do Vale sobre a crise. Façam bom proveito:

“A CRISE”Antonio Gustavo Matos do Vale                                                                                        

 Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente. Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro quente da região.

Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha. Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses. E o negócio prosperava e prosperava…

Seu cachorro quente era o melhor!

Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho. O menino cresceu, e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país. Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo, agradando e prosperando e teve uma séria conversa com o pai:

– Pai, então você não ouve rádio? Não vê televisão? Não acessa a internet e não lê jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso país é crítica. Está tudo ruim. O Brasil vai quebrar.

Depois de ouvir as considerações do filho doutor, o pai pensou:

Bem, se meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, estão só pode estar com a razão!

Com medo da crise, o pai procurou um Fornecedor de pão mais barato (e é claro, pior). Começou a comprar salsichas mais baratas (que era, também, pior). Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada. Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

Tomadas essas ‘providências’, as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis e o negócio de cachorro quente do velho, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar Economia na melhor Faculdade… quebrou.

O pai, triste, então falou para o filho: ‘Você estava certo, meu filho, nós estamos no meio de uma grande crise. ‘ e comentou com os amigos, orgulhoso:

– ‘Bendita a hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise…’

Fiquem com Deus.

———————–

Antonio Gustavo Matos do Vale, economista, é Diretor do Banco Central do Brasil e membro do Conselho de Política Monetária.

E-mail: gustavo.vale@bcb.gov.br

 

Como pudemos constatar a crise americana no Brasil dependeu muito doRevista Exame (29-07-2009) modo com o qual a encaramos, pois a realidade econômica do país prometia muitas outras possibilidades além de uma recessão eminente. Muitos foram os que fizeram o papel de Caifás durante essa crise, os ditos entendidos de economia levaram à forca o Banco Central diante da opinião pública deste país, como sempre fizeram. A política ortodoxa, tão criticada, se mostrou eficaz  e finalmente nos levou a algum lugar, mesmo com toda a torcida contra.

A mídia brasileira infelizmente fez o papel do filho do velho vendedor de cachorros quentes da crônica do doutor Gustavo e muitos foram os derrubados por essa “crise” antes da hora. Ainda bem que nosso país não deixou de comprar os melhores pães, as melhores salsichas, de distribuir sua propaganda e vender seu produto em voz alta, como esperavam muitos. É possível que hoje a crise fosse realmente um problema para nós, como foi para o vendedor desavisado, ou melhor, avisado até demais. 

Os meu mais profundo agradecimento aos profissionais do Banco Central, que exerceram com excelência os seus respectivos papéis na gestão da política econômica desde país. Nós vencemos.

Boa noite, boa sorte.

 

“Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O incoveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e as soluções fáceis. Sem crise não há desafios. Sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

(Albert Einstein)

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terça-feira, 18 agosto 2009 - Posted by | Arquivado | ,

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