Logos de Minas Gerais

boa noite e boa sorte

Dona baratinha sem dinheiro na caixinha

Resumo: Alguns comentários  sobre a situação econômica do país neste fim de ano diante do pós-crise.

Para os que gostam, chegou a hora do momento economia da semana. E o assunto de hoje não poderia ser outro: Natal de 2009. A crise deixou sequelas no poder de compra do brasileiro em 2009? E se deixou, quais foram eles? E a recessão, foi por um triz, mas até onde podemos respirar aliviados?

Particularmente falando, moro em uma cidade pequena em comparação com as grandes metrópoles deste Brasil, todavia tenho solvência moral para falar do assunto “bolso” quando é destacado o caráter ultra-comercial da minha cidade, Governador Valadares (a maior “exportadora” de brasileiros-sem-vergonha para os EUA? Sim, sim. Ela mesma.).

Valadares é uma sucursal de padrões e estereótipos americanos, no pior sentido deles, especialmente no sentido de  pobreza espiritual, e sofreu muito com os reflexos da crise este ano. Ouvíamos os jornais e revistas dizerem “a crise já está passando” e não sabíamos se vivíamos no Brasil deveras. O mercado sisudo, os salários magros e os altos preços diziam o contrário.

Eu tive fé no BACEN e ainda tenho; tive fé em Ministério da Fazenda e ainda tenho. Foi essa fé ufanística, se é que posso dizer assim, que me colocou fora do estado de calamidade financeira geral da população da minha cidade (a leitura de jornais também ajuda) e me permitiu pensar fora da caixa (ver que o mundo não se resume ao meu umbigo). A crise, teoricamente, passou. A meu ver, sim. O problema é que nesse natal a viabilidade mercadológica das empresas ficou em frangalhos. Os comerciantes  menos experientes (ou seja, a maioria deles), por nunca antes haverem experimentado o sabor de uma crise, esqueceram que a economia do país ainda não está recuperada o suficiente para se manter padrões de consumo anteriores. Seria necessário um tempo de carência em que o fator-crise fosse levado seriamente em consideração nos cálculos. O fator-crise foi ignorando, o que gerou uma severa ressaca no pós-crise e, dessa vez,  não por falta de aviso, na pior época do ano.

O poder de compra do brasileiro não está saudável para ir às compras de Natal, muito menos de Ano Novo. A maioria dos comerciantes não considerou isso e, pior, se surpreendeu com os resultados insignificantes de suas vendas insignificantes. Quem comprava um Chester este ano comprará um franguinho; quem comprava um franguinho vai se virar com uma codorna. Quem passava o ano novo de branca, das duas uma: ou passa com camisa amarelada, ou passa sem camisa. É isso, só quem se preparou para o fim de ano de 2009 terá um. É ruim para a economia, mas é uma boa lição para o “espírito natalino” moderno.

Vale lembrar que isso acontece somente  no comércio do povão, que ainda é maioria neste país. A indústria, coitada, mal tirou o pé da lama, se é que tirou; e mesmo que tirasse, creio não iria cair no conto de natal que caiu o comércio popular. A cabeça da indústria não é feita pelo povão e só o povão não pensa na crise.

Boa noite, boa sorte.

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quarta-feira, 23 dezembro 2009 - Posted by | Arquivado |

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